Thursday, April 13, 2006

V for Vendetta

Devo dizer que estava relutante em ver este filme. Ha um mes atras, quando ouvi falar dele e do que tratava, achei bastante interessante, depois vi algumas críticas más e perdi algum interesse, mas agora, após vários amigos terem dito maravilhas do filme, resolvi vê-lo (e comentá-lo).

O Argumento

O filme passa-se num Londres futurista (mas bastante próximo do presente) governado por um regime totalitário denominado Norsefire, cujo líder é o Chanceler Sutler. O filme roda em torno de "V", um "herói" mascarado que tenta vingar o passado e ao mesmo tempo combater o regime vigente (e que estão ligados), através de actos terroristas e incentivando ao caos. Pelo meio aparece a heroína do filme, Evey, que é salva por "V" de ser presa pelo regime e que passa o resto do tempo a questionar a sua ideologia e a sua relação com "V". Por fim temos o conjunto de detectives que tentam resolver o caso mas aos poucos vão questionando a sua crença no regime.

O argumento baseia-se numa série de BD homónima, escrita por Alan Moore nos anos 80 (e que o próprio admitiu ser um manifesto anarquista contra o governo Thatcher) adaptado aos tempos actuais, mais nomeadamente à administração Bush, ou ao neo-conservadorismo americano.
As referencias sao muitas e bastante explícitas, desde a perseguição a muçulmanos e gays, passando por relatórios que falam em ataques terroristas em aviões e comboios, bem como a influencia e a manipulação que os media tem na sociedade. Na minha opinião esta extrema tentativa de colagem a eventos presentes tira algum brilho ao argumento, bem como peso ao conceito anarquista do filme. Penso que manter o conceito original numa visão mais abstracta e teórica seria mais interessante de explorar num filme.

Aliás, o próprio Alan Moore quis o seu nome retirado dos créditos do filme exactamente por achar que se tinha perdido o carácter ambíguo da personagem de "V" e se tinha reduzido o conceito a uma crítica à direita americana.

Outro ponto em que quanto a mim o argumento podia ser melhor é na tentativa de inserir "side-stories" que pouco ou nada trazem ao progresso do filme. Tou a falar da sequência entre as lésbicas e da personagem do repórter Gordon.

No geral o conceito é bastante interessante, mas penso que dado o potencial que a BD original tem (que infelizmente ainda não li, mas já li sobre) poderia ter sido feito bastante melhor.

A Realização
Tendo a produção e cunho pessoal dos irmãos Wachowski, poderia-se esperar um filme de acção cheio de CGIs e sequências "bullet-time" (o próprio trailer do filme leva a pensar isso). Mas a realidade é outra, o filme é bastante "low-paced", com pouca acção e centrado na ideologia por trás de "V", da sua ligação com Evey, e na descrição do regime totalitário. Mas para mim esta é a grande vitória do filme e do seu realizador, conseguir resistir à tentação de fazer um "Matrix-like" e focar-se na história forte.

A fotografia quanto a mim não é brilhante, acho que falta algo para criar um ambiente propício à história, tá algo unidimensional. O filme é realizado num tom negro, intercalado com inumeras passagens de "footage" documental. Interessante é a semelhança entre os cenários referentes ao regime e a iconografia nazi, bem como o ecran em que o Chanceler comunica com os outros membros do regime, uma cópia descarada mas bem conseguida de 1984 (de George Orwell e onde este argumento vai buscar muitas referencias).

O casting está bem conseguido.

A bela Natalie Portman (que aqui passa boa parte do filme com um look GI Jane) cumpre bem o seu papel, sem dislumbrar. Curiosamente o realizador James McTeigue trabalhou com ela no Star Wars, já que ele era realizador adjunto do George Lucas.

Para o papel de "V", os irmãos foram buscar Hugo Weaving (o famoso agente Smith da triologia Matrix). Aqui está um dos pontos fortes do filme. Sem nunca tirar a máscara, apenas usando a voz, consegue transmitir bastantes emoções e ser bastante convincente na sua interpretação.

Finalmente para o papel do Chanceler, foi escolhido John Hurt, que tinha participado em 1984, mas no papel de herói. Também cumpre bem as suas funçoes.

Conclusão

Baseado numa história original e bastante boa, o filme, não sendo brilhante pelas razões que apontei, é interessante e cumpre os objectivos de um bom filme, divertir e fazer passar a mensagem. Com uma melhor adaptação da história original, acho que podia ter sido um dos melhores do ano.

5 Comments:

Blogger Continuaranónimo/a said...

Olha, eu hoje fui ver o filme:
«Como Despachar um Encalhado»
Título original: Failure to Launch
De: Tom Dey
Com: Matthew McConaughey, Sarah Jessica Parker, Zooey Deschanel

Deu para rir...muito.
E dizer:
«Afinal o AMOR existe...em filmes!!!»

2:31 AM  
Blogger Eva Gonçalves, PhD Sociology said...

Tu é que não soubeste ver o filme.

3:42 PM  
Blogger Father R. Filipe said...

Gostei bastante do filme :D

Como não conheço bem a bd não posso tirar conclusões.....

5:29 PM  
Blogger Cleared For Take Off said...

Quem gosta do Hannibal Lecter que vá ver o "Hostel" (produzido pelo QTarantino).

12:31 AM  
Blogger Zozobra said...

Ja vi o Hostel...
Mta violencia mas pouca substancia, na minha opiniao...
E comparar com o Lecter? nao tem nada a ver...

E conseguiste ver o proprio Tarantino? Aparece no filme como actor...

3:11 PM  

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